Por
Conrado Matos – Psicanalista e Colunista do Jornal Tribuna da Bahia
Artigo publicado no Jornal
Tribuna da Bahia, 06.05.2013, Segunda-Feira.
O PAI DA PSICANÁLISE
O médico austríaco Sigmund
Schlomo Freud, bem mais conhecido pelo nome de Freud, nasceu na Região da
Morávia, em um Vilarejo chamado de Freiberg, no dia 06 de maio de 1856. Sua
formação em medicina, o levou a buscar profundo conhecimento sobre a alma
humana. Seu trabalho inicial com terapia foi através da hipnose, método
sugestivo que induzia o paciente a um sono profundo, nisto o paciente recordava
de traumas do passado.
Mas, para Freud, a hipnose
não foi o método terapêutico suficiente para seu trabalho de cura das neuroses,
embora, foi à hipnose o pontapé inicial para novas descobertas do inconsciente.
Freud declarou em suas obras que, a hipnose era um método de tratamento que
deixava o paciente numa dependência terapêutica e, ao invés, do paciente se
livrar do trauma, ele, o paciente, obedecia aos comandos do psiquismo do
hipnotista, desenvolvendo uma forte dependência. Obtinha o paciente, uma cura
temporária, desconhecendo a origem das suas neuroses, não se livrando do
trauma.
Dessa forma, para Freud, ao
invés do paciente se livrar do trauma, desenterrando tudo do seu interior, numa
escavação profunda, o paciente fazia era enterrar mais ainda, através da
hipnose, ou por qualquer outro método de terapia sugestiva. Nisso, o paciente
se submetia a fortes recalques, encobrindo o trauma latente do inconsciente.
Desmotivado, diante dos
recursos psicoterápicos da hipnose, Freud resolve abandoná-la, procurando criar
um novo método de terapia que viesse a desenvolver um “saber”, para cura da
alma; um saber pelas vias do inconsciente: a cura através da palavra. O
inconsciente é fonte de sabedoria, tanto para o bem, tanto para o mal.
Sendo assim, em 1895, Freud
em parceria com seu amigo, o médico austríaco, Joseph Breuer, publicam um
estudo sobre histeria, baseado em um caso clínico de uma paciente histérica,
cuja obra, Freud dar o primeiro passo para descoberta da psicanálise, colocando
em pauta, nesse estudo sobre histeria, outros métodos de clínica psicológica,
capazes de fazer uma varredura profunda no inconsciente. Lembra Freud, em sua
obra psicanalítica que, quando a primeira paciente de pseudônimo, Anna O., foi
conduzida a análise, ela, Anna O., dizia para Freud que, a terapia era uma
limpeza da chaminé. Mas, para toda essa limpeza do inconsciente ocorrer, foi
preciso mais investigações, e novos casos clínicos, que pudessem respaldar o
pai da Psicanálise, Sigmund Freud, com sua ciência, se assegurando dos efeitos
posteriores e positivos da sua nova técnica terapêutica. A experiência com Anna
O., foi só um início de tratamento.
Freud chega a declarar em
sua obra psicanalítica que, certa feita foi chamado atenção por uma das suas
pacientes, por motivo do seu excesso de intervenções durante a terapia. A
paciente pede para Freud, parar de falar e de interferir tanto, pois, a
paciente gostaria de falar para ser escutada. Gostaria, também, a paciente de
estar livre para associar as suas ideias, expor de forma espontânea as suas
palavras e associações, pensamentos e lembranças que viessem livremente da sua
própria mente. Nesse caso clínico, Freud, percebe ainda erro herdado da hipnose
em sua técnica terapêutica, e recorre a uma nova descoberta, a da Livre
Associação de Ideias, adotando a partir de agora que, seus analisandos viessem
ao consultório e começassem primeiro a falar livremente o que viesse em suas
mentes. O analisando iniciaria o discurso através de uma fala, enquanto isso,
Freud, passa a maior parte dos 45 minutos em silêncio durante as sessões
psicanalíticas com seus pacientes. Foi por meio desse caso clínico, que Freud
descobre de vez a psicanálise. O método de Livre Associação de Ideias se torna
o principal método da psicanálise. Sem a livre associação de ideias, não há
psicanálise.
Sigmund Freud, preocupado
com o crescimento da psicanálise, cria um grupo de estudos, que se chamava de “Reuniões
das Quartas-Feiras Psicológicas”, para inicialmente, com
cinco companheiros, discutirem casos clínicos e novas técnicas de tratamento, e
supervisão psicanalítica, em prol da nova ciência do inconsciente: a
psicanálise.
Em 1910, Freud inaugura a
Associação Psicanalítica Internacional, em Zurique, na Suíça. Outras
associações são criadas em Viena e em Berlim. Essas associações são
responsáveis pela formação dos primeiros psicanalistas médicos e não médicos.
Existem psicanalistas que são médicos, psicólogos e filósofos, assim como, em
diversas áreas das ciências humanas. É requisito para formação em psicanálise,
um curso universitário e um período de sessões psicanalíticas e de supervisão,
para formação de um psicanalista.
Alguns psicanalistas
utilizam em seus consultórios o divã, embora, existem alguns que abdicaram do
uso em suas clínicas. Os recursos terapêuticos na prática psicanalítica
envolvem: as associações livres, interpretações de conteúdos manifestos e
latentes, interpretações de transferência e resistência, assim como, as
interpretações de sonhos e análise de atos falhos, provenientes de traumas
reprimidos.
Conrado Matos é
Psicanalista, com Consultório em Salvador. Licenciado em Filosofia e Bacharel
em Teologia. Formado em Psicanálise pela SPOB Sociedade Psicanalítica Ortodoxa
do Brasil.